Validação externa não é estratégia
É comum encontrarmos profissionais altamente comprometidos, orientados para resultados e com um elevado sentido de responsabilidade. Pessoas que entregam de forma consistente, que assumem desafios e que procuram fazer sempre mais e melhor. Mas, ainda assim, nem sempre sentem que o seu contributo é plenamente reconhecido.
Quando essa perceção se prolonga no tempo pode gerar um efeito silencioso, mas relevante: a dúvida constante sobre o próprio valor, não por falta de competência ou de resultados, mas por uma dependência excessiva de validação externa.
Em muitos casos, está também presente um factor adicional: o medo de falhar. Curioso é que não apenas pelo erro em si, mas pela forma como esse erro pode ser percepcionado pelos outros. Esse receio tende a reforçar comportamentos de esforço exagerado, perfeccionismo e uma procura contínua de aprovação.
Num contexto de coaching, este padrão surge com frequência. E é necessário retirar camadas ao discurso do coachee, através de uma verdadeira escuta para entender o que realmente está em causa. O que começa por ser uma procura de estratégias para aumentar visibilidade ou reconhecimento rapidamente evolui para uma reflexão mais estrutural: até que ponto a perceção de valor está dependente de fatores externos?
A mudança, quando acontece, não está na eliminação da importância do reconhecimento, que continua a ser um elemento relevante em qualquer contexto organizacional. Está, sim, na redefinição da sua função.
Profissionais mais conscientes do seu próprio valor tendem a gerir melhor a ausência pontual de feedback positivo, a lidar de forma mais equilibrada com o erro e a sustentar níveis de desempenho mais consistentes ao longo do tempo. A validação externa continua a ter o seu lugar mas deixa de ser o principal referencial.
Em ambientes corporativos cada vez mais exigentes, este não é apenas um tema individual. É também um tema de liderança e de cultura organizacional. Criar contextos onde o reconhecimento existe mas onde as pessoas não dependem exclusivamente dele é um equilíbrio desafiante, mas essencial.
Sabemos que equipas mais consistentes não são apenas aquelas que recebem reconhecimento mas sim aquelas que conseguem sustentar o seu desempenho mesmo quando esse reconhecimento não é imediato.
