A engenharia da gestão de pessoas

 Em Cultura de Empresa, Digitalização, Employer branding

Conheço uma pessoa que adoraria trabalhar numa determinada empresa, uma multinacional de referência no sector financeiro, e que estabeleceu para si própria o objectivo de o conseguir. Mal terminou o Mestrado, com classificação elevada, enviou a sua candidatura e foi rapidamente convocada para uma entrevista a que se seguiram alguns testes de conhecimentos técnicos e outras quatro entrevistas. Umas semanas mais tarde, a pessoa recebeu a informação que não tinha sido seleccionada. Passado mais um tempo foi de novo convocada, pela mesma empresa, para entrevista com um interlocutor diferente e para outra posição em aberto. Seguiram-se mais duas entrevistas no âmbito do mesmo processo e também não foi seleccionada. Passaram mais de dois anos, em que a pessoa em questão foi admitida noutra multinacional, adquiriu experiência e ao ver um anúncio para a empresa onde continua a querer trabalhar, decide responder e é de novo contactada para entrevista, provas técnicas e mais duas entrevistas. À data ainda não se conhece o resultado mas agora foi o candidato quem desmobilizou.

Vem isto a propósito de um artigo da HBR, Stop Overengineering People Management, que nos fala da retirada de poder às pessoas quando são substituídas por software. É muito provável que na empresa de que falo o recrutamento esteja entregue a plataformas que automaticamente entregam um número de candidatos elegíveis para uma determinada posição. O que não se entende é que não haja um histórico de dados que permita perceber se alguém que já foi entrevistado 11 vezes, é ou não um candidato, não digo a contratar, mas a ser considerado. Segundo o mesmo artigo quando a responsabilização é totalmente retirada às pessoas e atribuída às máquinas esse é um bom caminho para desmotivá-las e para minar a produtividade. Ou então, como a pessoa de quem falo refere com algum humor, trata-se de uma maneira de assegurar que os entrevistadores mantêm o emprego.

Numa época em que tanto se fala e se exigem empresas ágeis a realidade ainda é bem diferente. Continuando a citar o artigo da HBR, a melhor alternativa é a combinação entre a máquina e o homem, entre a optimização dos processos e o empowerment. Escolher uma via em detrimento da outra é perigoso.

Leia aqui o artigo.