Dr. Jekill e Mr. Hyde
O comportamento das pessoas fascina-me. Comportamentos bizarros ainda mais e quando menciono bizarros falo quer de positivos quer de negativos.
Recentemente chegou-me às mãos o livro (penso que não traduzido para português) Talking with Psychopaths and Savages, com o subtítulo A journey into the evil mind. O autor, Christopher Berry Dee, é um reputado criminologista e o fundador e ex Director do CRI – Criminology Research Institute. O tema interessa-me desde há muito tempo.
Por vezes sou levada a associar características da psicopatia, nomeadamente as que dizem respeito a personalidades narcisistas (salvaguardando, é claro, que alguém com traços de personalidade narcisistas não é um psicopata), ao comportamento de alguns líderes nas organizações: a auto estima exagerada, a preocupação com o poder, com o prestígio e a vaidade, a busca constante de aprovação pelas pessoas em posições de poder, o ego insuflado; provavelmente já todos nos cruzámos com alguém com estas características.
Entretanto fiz uma ligação deste livro a um artigo de Cameron Sepah, Why good people become evil bosses, no qual o autor identifica os três arquétipos do maquiavelismo nas organizações. Segundo CS a cultura do “vencer a todo o custo”, que vivemos hoje, leva a que – se a ocasião se proporcionar – uma boa pessoa (diria que as pessoas com estruturas de personalidade frágeis) possa transformar-se num “diabo”.
Os exemplos que descreve são os do líder que sente que a responsabilidade por tantas pessoas é um fardo, de tal maneira que lidera à defesa em vez de liderar de acordo com os valores da empresa; os do executivo conspirador que, construindo relações ganhador/perdedor, nunca será admirado enquanto CEO; e o exemplo do empregado esforçado cuja ambição é uma espada de dois gumes.
Uma parte do que me atrai na abordagem de CS (talvez por defeito de formação), é a analogia entre a relação pais/filhos e a relação chefias/empregados, ou seja, as relações familiares são muitas vezes reproduzidas nas organizações: aquele que quer o gabinete maior do que o do outro, aquele que precisa de aprovação constante do pai, perdão, da chefia, aquele que manipula para ficar com a promoção, a chefia que precisa de humilhar os outros para sobressair e também o bom pai, perdão, a chefia que é capaz de perdoar e ser um mentor dos seus colaboradores.
Às vezes é preciso pedir ajuda para lidar com estas situações e para evitar que assumam proporções exageradas.
Leia aqui o artigo de Cameron Sepah.


