Todos diferentes, todos iguais

 Em Coaching, Desenvolvimento, Formação

“Eu ali a olhar para o que a equipa estava a desenhar e estava a enervar-me. Aquela não era a maneira de eu abordar o problema e  a minha maneira é que fazia sentido.”

” Aquela pessoa faz, mas não faz depressa. O meu ritmo é diferente. Como é que os ponho ao meu ritmo?”

“Às vezes tenho que me calar para não disparatar. Quando alguém tem uma opinião diferente e eu não concordo, digo o que tenho a dizer de uma forma demasiado assertiva.”

Estes são fragmentos de conversas que escuto com frequência numa época em que tanto se fala de diversidade nas empresas. Está-se a aprender a aceitar o aumento da diversidade de género, de raça, de religião, de orientação sexual… mas numa época em que tanto se diz ser a partilha de experiências, de conhecimento, de culturas, tão importante numa organização, entre o que se diz e que é o correcto dizer e o que sentimos realmente quando confrontados no dia a dia, a trabalhar sob pressão, com pessoas diferentes de nós, a dissonância é bem visível. E tendemos a querer estar perto de pessoas que pensem como nós e que tenham o nosso ritmo.

Porque é que isto acontece?

Nos exemplos de que disponho, a maioria das vezes simplesmente porque as pessoas não gostam de se sentir postas em causa. Naturalmente, tendem a percepcionar os outros por auto referenciação.

Assim, alguém que seja mais prudente do que eu, que arrisque menos, tenderá a ser visto como uma pessoa medrosa. Ou, aquela pessoa que vejo como muito mais extrovertida poderá ser histérica, ao contrário daquela que é mais calma do que eu e que posso ver como alguém deprimido.

O impacto que este modo de funcionamento tem na dinâmica das equipas é mais elevado do que à primeira impressão possamos pensar e negativo, podendo desencadear reacções de não colaboração, de resistência à mudança e até de contra poder.

Só seremos capazes de mudar atitudes e comportamentos se questionarmos a maneira como percepcionamos os outros. Como tudo poderia ser mais produtivo numa qualquer organização se todos fizessem esse esforço.

E já agora, não confundir atitudes assertivas com atitudes agressivas.

 

Quando não conseguimos sequer pensar que haja uma visão diferente da nossa e que a verdade está connosco, atirando um “Não concordo contigo, não é nada disso”, passo a estar em modo agressivo e está lançada a primeira pedra para que o outro se defenda com a resistência e a não colaboração.

Quando conseguimos defender e manter a nossa opinião e aquilo que queremos, mas aceitamos que o outro possa ter uma opinião  e  necessidades diferentes, estou em modo assertivo. A partir daqui, a resistência desaparece ou diminui e a colaboração é possível.