Já despediu alguém?

 Em Cultura de Empresa, Employer branding

Temos duas multinacionais do mesmo sector de actividade. Uma decidiu que precisa de despedir 100 pessoas, a outra decidiu despedir três.

A primeira adoptou um processo em que o respeito pelas pessoas nunca esteve em causa. Depois de ter seleccionado aquelas que teria de despedir, de acordo com critérios objectivos e de isenção, comunicou o que ia acontecer e, antes de contactar quem quer que fosse, pediu voluntários para acordos de rescisão. As pessoas que se apresentaram eram as que tinham sido seleccionadas. As condições oferecidas para o acordo, eram largamente superiores ao exigido pela lei. A acrescer, um programa de outplacement e a manutenção de algumas regalias da empresa durante um ano. O processo implicou falar com aquelas pessoas, mas também escutá-las. Nalguns casos até, falar com os cônjuges e explicar-lhes os porquês.

Esta empresa, tem uma direcção de recursos humanos que trata as pessoas que despede com o mesmo respeito com que trata as que recruta e as que já lá trabalham.

A segunda empresa, escolhe dificultar a vida às pessoas que despede. Com urgência de catástrofe, chama um comercial que anda no terreno e anuncia que no dia seguinte não precisa de se apresentar. Dita as condições de rescisão, dentro dos limites mínimos estabelecidos pela lei, em tom intimidatório, e exige a devolução de todas as ferramentas de trabalho. A justificação não existe e o olhar de quem despede nunca se cruza com o do despedido.

Esta empresa tem uma direcção de recursos humanos que só quer cumprir o que lhe ordenaram, o mais rapidamente possível e sem que a ponham em causa. É como se, quem despede, estivesse tão humilhado que só pode humilhar ainda mais o outro.

Numa altura em que se fala tanto de employer branding, há quem não perceba ainda que a marca do empregador é a sua reputação. Como cada empresa se relaciona com todos os seus stakeholders, entre os quais estão os seus empregados,  isso é o que ajuda a construir a sua reputação. A maneira como um empregado sai de uma empresa é tão importante como a maneira como é contratado e, na hora de atrair talento, se for esse o caso, os relatos de ex empregados podem surpreender e influenciar uma decisão. Há quem veja as coisas do fim para o princípio, quando se está a candidatar: se algum dia forem obrigados a despedirem-me, como o irão fazer?