Com Miguel Coutinho – Administrador da Fundação EDP

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Como descreve o seu estado de espírito actual?

Ânimo por tudo o que poderíamos mudar. Desânimo por tudo o que permanece na mesma.

Qual o seu maior receio neste momento?

Como hipocondríaco, apesar de estar em franca recuperação, qualquer doença. Como cidadão deste mundo, a guerra, essa doença que nos deixa, simultaneamente, perplexos e angustiados.

Qual a maior extravagância que por estes dias lhe apetece fazer?

A liberdade é a maior extravagância que deveríamos banalizar.

Qual a frase/expressão que mais tem utilizado ultimamente?

Tento mudar de frases todos os dias para não me repetir.

Fez alguma descoberta acerca de si próprio durante o confinamento?

Três descobertas: que adoro cozinhar, que cozinho melhor do que pensava e que estou farto de cozinhar.

Fez alguma descoberta acerca dos que lhe são próximos durante o confinamento?

Que todos eles descobriram talentos que tinham guardados dentro de si.

Qual tem sido a sua ocupação favorita?

 Pensar enquanto trabalho.

Se tivesse mais uma vida o que faria com ela?

Leria e escreveria mais, e faria o possível por me preocupar menos. Mas, creio que a pergunta deveria ser feita à vida e ao que ela faria comigo.

O que gostaria que fosse diferente depois da pandemia?

A forma como vivemos.

O que gostaria que se mantivesse?

O cuidado com os outros.

Qual a sua fonte principal de notícias atualmente?

Várias. Mas, diria que o mais importante é o nosso juízo crítico sobre as notícias e a forma como elas nos são apresentadas.

Que livro recomendaria nesta altura?

Recomendo sempre o que estou a ler. No caso, ‘A Terrible Country’, um romance de Keith Gessen sobre a vida na Rússia.

Qual foi o último espectáculo a que assistiu (cinema, teatro, concerto…)?

A performance de Vera Mantero na inauguração da exposição de Rui Chafes no Museu de Serralves. Dois acontecimentos culturais únicos.

Como vê a relação entre as empresas e a arte?

A Arte e, de uma forma mais genérica, a Cultura, são, infelizmente, um corpo estranho para a maioria das empresas. Elas dão-nos outras perspetivas do mundo e com isso contribuem para o compreendermos melhor. E trazem-nos um conhecimento que não se encontra numa folha de excel.

Qual a sua banda sonora para estes dias?

Para estes e para todos os dias: Miles Davis, John Coltrane, Chet Baker, Brad Meldhau, Nick Cave, The National, Kate Bush, Bill Callahan.