Com Carlos Moedas – Administrador na Fundação Calouste Gulbenkian

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1. Qual é o seu estado de espírito actual?

“Bucket List”: Acho que todos nós nestes tempos difíceis refletimos sobre a vida e sobre aquilo que realmente queremos deixar como marca para as futuras gerações futuras. É esse o meu estado de espírito.

2. Qual o seu maior receio neste momento?

“Match Point”: Como no filme de Woody Allen a bola pode cair para os dois lados e ainda não sabemos qual. Esse é o meu maior receio.

3. Qual a maior extravagância que por estes dias lhe apetece fazer?

“Fiammetta”: Ir ao meu restaurante italiano preferido em Campo de Ourique comer um bom prato de pasta italiana com butarga tunisina.

4. Qual a frase/expressão que mais tem utilizado ultimamente?

“No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.” Do grande escritor brasileiro Fernando Sabino

5. Fez alguma descoberta acerca de si próprio durante o confinamento?

“About Time”: Como no magnifico filme “About Time” devemos aprender a saborear cada momento. Saber apreciar a vida no bom e no mau que ela nos traz. De certa forma observar e viver cada momento como se fosse o último.

6. Fez alguma descoberta acerca dos que lhe são próximos (na família ou no trabalho) durante o confinamento?

Que a solidariedade do nosso povo é extraordinária nos momentos difíceis. Tenho um grande orgulho em ser português.

7. Qual a sua ocupação favorita durante o confinamento?

Ler um livro.

8. Se tivesse mais uma vida o que faria com ela?

Fazia tudo “quase” igual, mas saboreava melhor os bons momentos.

9. O que gostaria que fosse diferente depois do Covid 19?

“Life on our Planet”: Como vimos no documentário de vida de David Attenborough tudo terá que mudar, porque o planeta terra nunca acabará, mas a espécie humana poderá acabar se não mudarmos nada.

10. O que gostaria que se mantivesse?

“Human”: Como no grande filme de Yann Arthus-Bertrand aquilo que não pode mudar é a nossa humanidade e temo que a estejamos a perder através deste distanciamento físico a que estamos obrigados. O vírus veio retirar-nos aquilo que de mais humano temos que é o contacto entre os seres humanos.

11. Qual a sua fonte principal de notícias actualmente?

“Financial Times” para o dia à dia e “Project Syndicate” para leituras de fim de semana.

12. Que livro recomendaria nesta altura?

“A invenção da Natureza: Andrea Wulf” A melhor biografia que já li do grande Alexander Von Humboldt. Em 1800 foi o primeiro cientista a falar das mudanças climáticas humanamente induzidas. Era o melhor amigo de Goethe com quem partilhou o gosto pela interdisciplinaridade influenciando muitos dos seus escritos.

13. Qual foi o último espetáculo a que assistiu presencialmente (cinema, teatro, concerto…)?

“Uma noite na Ópera” na Gulbenkian no dia 14 de Janeiro de 2021 mesmo antes do confinamento com o grande maestro Lorenzo Viotti. Senti-me vivo.

14. Nesta época tão conturbada como vê o papel da investigação e tecnologia?

“Le pouvoir de la destruction créative” de Philippe Aghion. A inovação e a tecnologia são as moires fontes de crescimento, bem-estar e mobilidade social da história da humanidade. No princípio do seculo XX a esperança media de vida era de 30 anos. Hoje, metade daqueles que nascem viverão para além dos 100 anos. Até 1820 vivíamos num mundo estagnado. Foi a partir de 1820 através da destruição criativa que a revolução industrial e as grandes descobertas na área da medicina vieram impulsionar um crescimento económico nunca visto até então. Hoje, a investigação e tecnologia terão que mudar essa mesma economia que está a destruir os nossos recursos para que possamos continuar a viver no nosso planeta sem o destruir.

15. Qual a sua banda sonora para estes dias?

“About Time”: Um dos melhores filmes da minha vida com uma banda sonora extraordinária para estes tempos difíceis