Liderança, é o que os millennials precisam e querem

 In Cultura de Empresa, Gestão de Talento, Liderança

Muito se fala da geração milénio por estes dias. Há quem os veja como mimados e arrogantes e há quem veja um grupo de pessoas que não nasceu de geração expontânea. Trazem consigo o que lhes foi induzido pelas gerações anteriores e vivem de acordo com o que o mundo actual lhes oferece.

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Segundo a investigação da Gallup, a geração milénio sofreu a ausência dos pais, ‘chegavam da escola a uma casa vazia’, determinada pelas 40 horas (ou mais, digo eu) de trabalho semanais. E por isso, querem ser avaliados pelos resultados que alcançam e não pelo relógio. Para acompanharem as agendas dos pais, foram estimulados a ocupar o tempo livre nas mais diversas actividades – geralmente competitivas. De acordo com a mesma investigação, essa ausência dos pais durante a semana leva estes, para afastarem o sentimento de culpa e para os compensarem, a encorajar os filhos com aprovação sempre que são bem sucedidos. Por isso, é tão importante para eles o feedback frequente. E, acrescento, por isso é tão importante o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal de que também tanto se fala. Por outro lado são a geração tecnológica por excelência, nasceram com a tecnologia e estão habituados a identificar as oportunidades de trabalho à distância de um click, para além de terem interiorizado que tudo aquilo que desejam deve acontecer rápido.

Como sempre, há uma consequência positiva que emerge deste cenário e que é o facto de as empresas serem obrigadas a repensar os seus modelos de liderança. A investigação demonstra que são pelo menos cinco os aspectos a que esta geração atribui grande importância:

  1. O trabalho tem que ter um propósito
  2. A liderança tem que adoptar um estilo de coach e não de chefe
  3. O feedback e o reconhecimento devem ser frequentes
  4. O foco deve ser nas suas forças
  5. As oportunidades de desenvolvimento têm de ser reais

Entretanto, a Harvard Business Review falou com alguns dos CEO com melhor desempenho acerca da gestão da geração milénio e à pergunta ‘ Hoje é mais difícil gerir os jovens? Os millennials  são mesmo diferentes? ‘, é curiosa a diferença nas respostas de Martin Sorrel da WPP e de Lars Sorensen da Novo Nordisk. Diz o primeiro ‘ … em vez de se agarrarem a alguma coisa durante muito tempo, passam de emprego em emprego… as pessoas agora querem mudar de oportunidade em oportunidade, a construção de marcas a longo prazo é uma arte em extinção’. Já Sorensen afirma ‘ Os millennials cresceram a ver os negócios começar do zero, graças à emergência da tecnologia que permite aos jovens criar, comunicar e fazer aplicações. Acho que isso influenciou a sua vontade de investir, em fazer parte da construção de uma marca ou de se comprometerem com as empresas a longo prazo. Mas isto pode mudar se uma empresa lhes oferecer um sentido de propósito’.

Parecem-me duas maneiras completamente diferentes de abordar o tema sendo que, na minha perspectiva, o discurso de Sorrel deixa subentender alguma amargura, enquanto Sorensen olha para o que há de positivo e vê uma solução para conseguir um comprometimento de mais longo prazo com esta geração.

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