A entrevista de saída

 In Cultura de Empresa, Employer branding, Gestão de Talento, Liderança

É aconselhável que se trate a saída de uma pessoa com o mesmo cuidado com que se trata uma admissão, investindo tempo numa entrevista para o efeito. Alguém que sai da empresa pode vir a ser seu embaixador, ou não, independentemente dos motivos que a levaram a sair. Pode influenciar positiva ou negativamente a reputação de uma organização. No meu livro Era uma vez um talento, publicado em Novembro de 2017, surge este exemplo de entrevista de saída:

Chefia (em tom afável): Ana, o tempo passou rápido desde que nos sentámos aqui quando foste contratada. Apesar de saber que tiveste uma proposta irrecusável, gostava que fizéssemos um balanço destes dois anos.

Ana S.: É verdade, passou rápido porque foram dois anos fantásticos e muito acelerados. Para mim, foi uma experiência muito boa e que queria ter. Gostei muito de cá estar e nunca escondi a minha vontade de ir para o lado do cliente. 

Chefia: Sim, sei disso. E estou contente que essa oportunidade tenha chegado. Mas hoje queria que concretizasses o que é que para ti foi tão fantástico. E também o que não foi.

Ana S.: Bem,o tipo de projectos e de clientes, não todos como sabes (risos), foram sempre muito entusiasmantes. Aprendi muito e rapidamente. A primeira vez que fui para fora, sózinha, assustei-me um bocado mas hoje acho que era assim que tinha de ser. Ainda bem que fui. Depois, o ambiente na empresa é frenético mas ninguém se atropela, percebes o que quero dizer, sempre senti que competíamos pelos clientes mas não uns com os outros. 

Chefia: Isso é o que dirias a alguém que quisesse trabalhar connosco?

Ana S.: Ah sim, claro. Não estou a ser politicamente correcta (risos).

Chefia: Mas há com certeza aspectos que, na tua opinião, devem ser melhorados…

Ana S.: Se me perguntas, sim… a formação a que tive acesso, por exemplo, fora da empresa foi sempre eficaz, mas sempre que era cá dentro nós não conseguíamos desligar totalmente do trabalho, por isso farão bem em pensar que quando há formação o foco tem que estar lá e é melhor ir para fora. Por outro lado adorei os encontros mensais em que tínhamos um convidado que trazia temas inspiradores.

Chefia: Mas agora concentra-te no que pensas que esta empresa deve melhorar.

Ana S.:  Sim, claro. Bom, o facto de a empresa ser pequena e o próprio modelo de negócio não permitem um plano de carreira muito atractivo. Eu fui estagiária e a seguir subi dois degraus, mas a partir de agora não teria muito mais oportunidade de evoluir verticalmente. Sei que poderia sempre fazer coisas diferentes, mas durante muito tempo iria estar tapada, vocês são todos jovens ainda (risos).

Chefia: É verdade que esse é um constrangimento e queremos reflectir sobre ele para o futuro. De qualquer maneira, essa não é a razão da tua saída?

Ana S.: Não, não é e quero que isso fique claro. Eu sempre quis ter a experiência do lado do cliente.

Chefia: E eu espero que possamos vir a ser parceiros, quem sabe?

Ana S.: Se essa oportunidade surgir, não vou hesitar em recomendar esta agência.

Chefia: Quero agradecer-te o teu empenho e o valor que trouxeste à empresa e sei que vais ter sucesso nessa nova aventura. Vamos manter-nos em contacto.

Ana S.: Sim, claro que vamos. Obrigada por tudo.

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